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Sandboxes Regulatórios: Testando o Futuro com Segurança

Sandboxes Regulatórios: Testando o Futuro com Segurança

26/12/2025 - 05:33
Maryella Faratro
Sandboxes Regulatórios: Testando o Futuro com Segurança

Em um mundo em constante transformação, encontrar o equilíbrio entre inovação e segurança regulatória tornou-se fundamental. Os sandboxes regulatórios surgem como uma resposta pioneira a esse desafio.

Conceito e Origem dos Sandboxes Regulatórios

O termo “sandbox” traduzido literalmente como “caixa de areia” remete a um espaço seguro para experimentação. Ambientes de experimentação controlados por órgãos reguladores permitem que empresas testem ideias sem os riscos de um mercado convencional.

A primeira aplicação, em 2015 no Reino Unido, foi promovida pela Financial Conduct Authority (FCA). Desde então, mais de 50 países adotaram modelos semelhantes, estimulando fintechs, insurtechs e healthtechs.

Fundamentos Jurídicos no Brasil

No Brasil, a base legal encontra-se na Constituição Federal (Art. 174 e 21, XXIV) e na Lei nº 13.848/2019. A Lei Complementar nº 182/2021, artigo 2º, II, formalizou o conceito de “ambiente regulatório experimental”.

Regulamentações infralegais – resoluções, portarias e atos normativos de agências como CVM, Banco Central e ANTT – detalham critérios de participação e garantias mínimas.

Objetivos Centrais

  • Fomentar inovação em setores regulados.
  • Reduzir barreiras burocráticas e criar espaços de prototipagem.
  • Proteger consumidores e a estabilidade do mercado.
  • Coletar dados e evidências para futuras regulamentações.

Esses objetivos também visam coletar dados e evidências fundamentais para aprimorar normas, garantindo um ajuste mais preciso às necessidades do mercado e da sociedade.

Funcionamento Prático e Etapas de Seleção

O processo inicia-se com um edital público definindo temas de interesse. As etapas incluem:

  • Inscrição formal, com apresentação de projeto inovador.
  • Avaliação por comitê multidisciplinar.
  • Entrevistas técnicas e complementares.
  • Aprovação e início dos testes sob regras temporárias.

Durante o experimento, as empresas assumem compromissos de reporte regular de dados e devem assegurar proteção de dados pessoais.

A flexibilização temporária de regras regulatórias preserva requisitos mínimos de segurança e transparência, enquanto limita o número de clientes e o volume de transações.

Princípios Norteadores

  • Proporcionalidade: exigência condizente com o risco.
  • Transparência: regras claras e acessíveis.
  • Segurança jurídica: proteção aos direitos das empresas.
  • Proteção ao consumidor: manutenção de salvaguardas essenciais.

Principais Setores de Aplicação

Os sandboxes regulatórios já impactam diversas áreas, entre elas:

  • Setor Financeiro: fintechs de pagamentos, empréstimos e investimentos.
  • Seguros: insurtechs explorando novos modelos de subscrição.
  • Saúde: telemedicina e healthtechs aprimorando diagnósticos.
  • Transportes: inovações em mobilidade terrestre e aéreo.

Exemplos Práticos e Comparativo Internacional

No Brasil, o sandbox da CVM tem autorizado modelos de mercado de capitais inovadores, enquanto o Banco Central foca em pagamentos e moedas digitais. A ANTT acompanha projetos de mobilidade sustentável.

Vantagens e Impactos Esperados

Com a adoção de sandboxes, ganha-se:

  • Experimentação segura de tecnologias emergentes.
  • Aprimoramento regulatório orientado por dados.
  • Redução de burocracia para startups inovadoras.
  • Estímulo ao dinamismo do setor e ao desenvolvimento nacional.

Essa abordagem cria um ambiente propício ao crescimento sustentável e fortalece o ecossistema de inovação.

Desafios e Riscos Regulatórios

Entre os principais obstáculos estão a necessidade de conciliar inovação e proteção ao consumidor, além de:

• Garantir segurança jurídica sem fragilizar proteções essenciais.

• Mitigar riscos econômicos, sociais e reputacionais.

• Ajustar regras pós-experimento, evitando normas ineficazes ou permissivas demais.

Impacto Futuro e Perspectivas

Os sandboxes regulatórios representam uma mudança de paradigma: co-construção entre reguladores e inovadores. Ao oferecer feedback real, essas experiências pavimentam o caminho para um marco legal adaptável.

No futuro, é esperado que esse modelo evolua para laboratórios setoriais interligados, permitindo testes multidisciplinares e maior integração internacional.

Ao consolidar aprendizados, o Brasil fortalece sua posição no cenário global de inovação, promovendo um ecossistema resiliente e orientado por evidências.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

Maryella Faratro