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Previsão Financeira com Big Data

Previsão Financeira com Big Data

31/12/2025 - 11:00
Bruno Anderson
Previsão Financeira com Big Data

Numa era de transformação digital acelerada, a tomada de decisão mais precisa tornou-se crucial para instituições financeiras que desejam manter a competitividade. Com o avanço das tecnologias de Big Data, bancos e empresas de investimento passam a antecipar tendências e calibrar estratégias com base em análises robustas de dados.

No cenário global, a volatilidade de mercados exige respostas rápidas, e o Big Data surge como alicerce para estratégias sólidas. A capacidade de processar petabytes diários transforma o modo como definimos sucesso financeiro.

Contextualizando o Crescimento do Big Data

O volume global de dados tem crescido de forma exponencial. Em 2018, registrou-se cerca de 33 zettabytes (ZB); já em 2024, os números saltaram para 150 ZB, e estima-se que, em 2025, atinjam 180 ZB. Essa escalada contrasta com um aumento significativo na monetização desses dados, que deve chegar a US$ 12,4 bilhões até 2030.

Considerado o novo petróleo da era digital, o Big Data impulsiona inovações em modelos de negócios e redefine a forma como o setor financeiro avalia riscos. A capacidade de armazenar, processar e analisar informações provenientes de transações, redes sociais, dispositivos IoT e fontes externas é hoje um ativo estratégico.

O mercado de Big Data Analytics no setor bancário tende a crescer a uma taxa composta anual de 23,1% entre 2024 e 2029, saltando de USD 8,5 milhões para USD 24,2 milhões. Além disso, o investimento global em tecnologia para mercados de capitais deve alcançar US$ 244 bilhões no período de 2025 a 2026.

Crescimento Projetado de Dados e Monetização

Veja a seguir as estimativas globais de volume de dados e monetização até 2030:

Esses números evidenciam a dimensão dos desafios e das oportunidades para quem investe em infraestrutura de dados e analytics.

Investimentos no Setor Financeiro

Em 2025, bancos brasileiros planejam aplicar cerca de R$ 47,8 bilhões em tecnologia, um aumento de 13% em relação a 2024. Desse total, o montante dedicado a investimentos em Inteligência Artificial, analytics e Big Data deve crescer 61%, enquanto a migração para a nuvem avança 59%.

Projetos estratégicos, como Pix e Open Finance, também recebem aportes expressivos, com alta de 48% e 65%, respectivamente. Esses investimentos não apenas modernizam a infraestrutura, mas também criam novas oportunidades de serviços e produtos financeiros personalizados.

As projeções mostram que o investimento em projetos de Pix e Open Finance impulsiona a modernização, com reflexos diretos na experiência do usuário e na agilidade operacional. A expectativa de abertura de cerca de 15 mil novas vagas de TI reforça a relevância do setor para o mercado de trabalho.

Com esse cenário, espera-se um aumento de 15% nos postos de trabalho de TI no setor bancário em 2025, reforçando a necessidade de profissionais qualificados em ciência de dados, engenharia de dados e segurança da informação.

Aplicações Práticas na Previsão Financeira

As aplicações do Big Data em previsões financeiras abrangem diversas áreas-chave:

  • Prevenção de inadimplência personalizada: Análise de comportamento de pagamento e scoring avançado.
  • Gerenciamento de riscos integrado: Cruzamento de transações, histórico de crédito e variáveis externas.
  • Personalização de produtos financeiros: Ofertas sob medida com base em preferências e jornadas digitais.
  • Detecção de fraudes em tempo real: Redução de falsos positivos e identificação rápida de padrões suspeitos.
  • Eficiência operacional e planejamentos: Automação de processos e alocação otimizada de recursos.

Um exemplo inspirador é o do Danske Bank, que, ao implementar soluções de Big Data, reduziu em 60% os falsos positivos em fraudes e aumentou em 50% a detecção de atividades suspeitas, gerando um acréscimo de US$ 70 milhões nos lucros operacionais.

Na área de cobrança, mais de 7 milhões de empresas inadimplentes no Brasil sinalizam a importância de modelos preditivos para priorização de ações de recuperação, otimizando recursos e aumentando a taxa de recuperação de créditos.

Algumas instituições estão monetizando insights de dados por meio de serviços de consultoria interna e venda de relatórios de benchmarking. Esse modelo de negócio alternativo pode gerar receitas adicionais significativas.

Benefícios Estratégicos

Implementar iniciativas de Big Data traz ganhos significativos:

  • Redução de custos e ganho de eficiência operacional em processos críticos.
  • Melhoria da segurança e detecção de ameaças avançadas a partir de analytics.
  • Segmentação mais precisa de mercado, elevando o lifetime value (LTV) dos clientes.
  • Rápida adaptação a novas regulamentações, como Open Finance e Pix.

Pesquisa da Febraban/Deloitte indica que 74% das instituições relatam diminuição de despesas, enquanto 63% destacam maior segurança e 58% valorizam a profunda análise de dados em larga escala.

Em um estudo de caso, um grande banco brasileiro aumentou o lifetime value de seus clientes em 30% ao adotar análises preditivas para ofertar produtos no momento ideal, reduzindo churn e aumentando a fidelidade.

Desafios e Governança de Dados

Apesar dos avanços, ainda existem barreiras a serem vencidas:

  • Qualidade dos dados inadequada: falhas de precisão, integridade e atualidade comprometem resultados.
  • Quebra de silos de informação e integração entre departamentos.
  • Cibersegurança e compliance rigorosos exigem políticas e ferramentas robustas.
  • Falta de profissionais especializados e necessidade constante de capacitação.

O fenômeno GIGO (“garbage in, garbage out”) ressalta a importância de investir em governança, catalogação e enriquecimento de dados, garantindo a confiabilidade dos modelos preditivos.

A conformidade com legislações como a LGPD no Brasil torna a governança de dados ainda mais crítica. Implementar políticas de privacidade e ferramentas de MDM (Master Data Management) é essencial para proteger informações sensíveis e ganhar a confiança dos clientes.

Tendências Futuras

O uso intensivo de IA e machine learning é a grande aposta para o próximo ciclo, permitindo a automação de análises complexas e decisões cada vez mais rápidas.

Plataformas de cloud, edge computing, IoT e blockchain devem expandir o ecossistema de dados, oferecendo novas fontes e desafios de segurança e governança. A integração dessas tecnologias permitirá modelagens preditivas mais sofisticadas e em tempo real.

Observa-se também um crescimento de 75% em treinamentos de IA no setor financeiro, refletindo a urgência em formar equipes capazes de explorar os algoritmos mais avançados e interpretá-los de forma ética e transparente.

Outro ponto emergente é a adoção de IA explicável e ética, assegurando transparência nos modelos preditivos. Reguladores e clientes exigem cada vez mais clareza sobre como as decisões automatizadas são tomadas.

Conclusão

A previsão financeira com Big Data transformou-se em um diferencial competitivo imprescindível. Instituições que combinam infraestrutura robusta, governança de dados e talentos especializados estão preparadas para antecipar cenários, mitigar riscos e criar valor sustentável.

Construir uma cultura data-driven, investir em qualidade de dados e adotar práticas ágeis são passos fundamentais para essa jornada. Convidar equipes a abraçar essa nova mentalidade e desenvolver processos iterativos garante resultados consistentes.

O momento de agir é agora: o futuro financeiro se baseia em decisões preditivas bem fundamentadas, e quem não se adapta corre o risco de ficar para trás.

Bruno Anderson

Sobre o Autor: Bruno Anderson

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