Em um cenário onde a maioria das famílias brasileiras já enfrenta desafios cotidianos, o endividamento ganha
dimensões alarmantes. Com recordes sucessivos de inadimplência e comprometimento de renda, é urgente refletir
sobre estratégias que permitam o equilíbrio entre o acesso ao crédito e a sustentabilidade financeira.
Segundo pesquisas recentes, o percentual de famílias endividadas atingiu 79,2% em setembro de 2025, marcando o maior nível desde 2010. Em apenas uma década, esse índice saltou de 57,5% para 79,5%, um acréscimo de 22 pontos percentuais. Além disso, a inadimplência chegou a 30,5%, com 48,7% das dívidas em atraso há mais de 90 dias.
O compromisso médio da renda familiar com dívidas supera 30%, sendo que 18,8% dos consumidores destinam mais da metade dos rendimentos ao pagamento de parcelas. Em paralelo, 13% das famílias declaram não ter condições de quitar suas dívidas, um reflexo direto do comprometimento elevado da renda familiar e da instabilidade econômica que persiste.
O cartão de crédito continua no topo da lista, sendo citado por até 84,5% dos endividados. Em seguida, destacam-se carnês, usados por cerca de 17% das famílias, e crédito pessoal, com participação de 10,6%. Além disso, modalidades como cheque especial, financiamento imobiliário e empréstimo consignado completam o quadro.
As origens desse fenômeno são múltiplas. Em primeiro lugar, as taxas de juros elevadas, com a Selic em torno de 15% ao ano, encarecem empréstimos e financiamentos, criando uma pressão adicional sobre o orçamento das famílias. Esse juro alto de 15% ao ano corrói rapidamente o poder de compra.
Também pesa o descompasso entre custos e renda: enquanto a inflação corrói os preços de bens e serviços, o aumento real nos salários permanece tímido. A facilidade de acesso ao crédito, incentivada por programas oficiais e ofertas de empresas financeiras, contribui para o facilidade de acesso ao crédito, mas sem o devido planejamento, gera endividamento desordenado.
O endividamento excessivo fragiliza a capacidade de consumo e investimento das famílias, impactando o comércio e o setor de serviços. Estima-se que 41% dos negócios ativos estejam negativados, muitos deles micro e pequenas empresas. Essa dinâmica estimula um círculo vicioso de retração econômica e desemprego.
Para as pessoas, o estresse financeiro provoca desgaste emocional, diminuição da qualidade de vida e afeta relacionamentos familiares. É fundamental reconhecer o dano social e psicológico que resulta do ciclos de endividamento vicioso.
Entender as definições ajuda a planejar soluções:
Embora o endividamento atinja diferentes camadas sociais, alguns grupos sofrem impactos mais intensos: famílias de renda média e baixa, mulheres, que enfrentam maiores dificuldades sistêmicas para quitar dívidas, e pequenos negócios, especialmente micro e pequenas empresas, responsáveis por 96% dos casos de negativação em 2025.
Para retomar o controle financeiro e evitar armadilhas, é essencial adotar hábitos saudáveis de gestão:
Embora os números apontem desafios crescentes, existe caminho para a recuperação. A jornada começa com força de vontade e resiliência: ao compreender as próprias finanças, definir metas realistas e adotar disciplina nos gastos, é possível reverter o quadro.
Cada passo em direção à educação financeira fortalece a segurança e permite que o crédito seja usado como aliada, e não vilã. A prática da moderação no uso de empréstimos é a chave para preservar a liberdade financeira e cultivar a esperança e equilíbrio financeiro que toda família merece.
O Brasil vivencia um momento delicado em relação ao endividamento familiar. No entanto, a conscientização e a ação concreta podem transformar esse cenário. Use o empréstimo com moderação, priorize negociações saudáveis e invista em educação financeira. Assim, será possível construir uma trajetória próspera, onde o crédito contribui para sonhos realizados, e não para dores e frustrações.
Referências