O cartão de crédito tornou-se presença constante no dia a dia de milhões de famílias brasileiras. Sua praticidade facilita compras e pagamentos, mas também exige planejamento para evitar surpresas desagradáveis no fim do mês.
Este artigo apresenta dados atualizados, discute benefícios e riscos e oferece ferramentas práticas para criar uma relação equilibrada com o crédito e preservar a saúde financeira doméstica.
Atualmente, cerca de 66% dos brasileiros utilizam pelo menos um produto financeiro, sendo o cartão de crédito o mais comum (Febraban). A popularização dos cartões, aliada a programas de fidelidade e facilidades de parcelamento, ampliou o acesso a bens e serviços.
Durante a pandemia, o uso de compras online fez o valor transacionado com cartão de crédito em 2021 quase quadruplicar em relação a 2016 (GETEC, 2025). Com isso, muitas famílias descobriram novas conveniências, mas também se depararam com o desafio de lidar com números maiores na fatura.
O comprometimento médio da renda familiar com dívidas alcança 28,7%, sendo que 52,7% das famílias dedicam entre 11% e 50% da renda mensal ao pagamento de parcelas (Campo Grande News). Em Campo Grande, 65,4% dos lares estão endividados, com o cartão de crédito liderando as modalidades de débito.
As taxas de juros do rotativo podem ultrapassar 300% ao ano, tornando o crédito rotativo um dos mais caros do país (BCB, 2023). Para muitas famílias com renda inferior a dois salários mínimos, essa alternativa se mostra perigosa e cara.
Quando bem utilizado, o cartão de crédito é uma poderosa ferramenta de organização financeira. Além de permitir o parcelamento de compras, ele pode ajudar a construir um histórico de crédito saudável, essencial para futuras negociações com instituições financeiras.
Esses benefícios dependem, no entanto, de disciplina no pagamento e de limites bem definidos, para evitar que a fatura se transforme em bola de neve.
A facilidade de uso dos cartões e o marketing agressivo podem levar ao descontrole dos gastos. Pesquisa da ABECS (2013) indica que 73% da população teme perder o controle sobre as despesas no cartão.
Esses fatores podem comprometer não apenas as finanças pessoais, mas também o bem-estar emocional de toda a família.
Para construir uma relação saudável, é fundamental investir em conhecimento e planejamento. A adoção de práticas simples já traz resultados significativos no controle das finanças.
Essas ações, apoiadas por materiais de educação financeira e consultorias, auxiliam no desenvolvimento de hábitos mais saudáveis.
O Banco Central tem testado novos leiautes de fatura, com, segundo o BCB, maior clareza para pessoas com menor escolaridade. As mudanças visam destacar o valor total da dívida, as taxas de juros e o prazo de pagamento, facilitando a tomada de decisões conscientes.
Essa iniciativa demonstra que melhorias no design das faturas e maior transparência podem reduzir a inadimplência e fortalecer a cultura de gestão financeira entre os cidadãos.
O cartão de crédito, se bem gerido, é aliado valioso para as finanças domésticas. O primeiro passo é entender seu funcionamento, reconhecer riscos e adotar práticas de planejamento.
Ao definir limites, pagar faturas integralmente e acompanhar cada gasto, as famílias garantem acesso a vantagens sem comprometer o orçamento. A combinação de disciplina financeira e inovação nas faturas pode transformar o cartão de crédito em instrumento de prosperidade, e não de endividamento.
Faça deste guia o ponto de partida para uma jornada rumo ao equilíbrio financeiro e ao uso consciente do crédito em sua casa.
Referências